quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A HISTÓRIA DA LEITORA ELVIRA LOMBARDI E SUA ENDOMETRIOSE PROFUNDA!!

A mineira Elvira e o marido, Marco Aurélio.


Apesar de ser a doença ginecológica mais estudada dos últimos 20 anos, a endometriose ainda é uma doença de difícil compreensão. Embora não seja uma doença hereditária, parentes de primeiro grau de uma portadora tem sete vezes mais chances de ter a doença que uma mulher que não tem nenhuma endomulher na família. Esse dado serve de alerta às mulheres, principalmente àquelas que têm alguma parente já diagnosticada e que sofrem com os sintomas da doença, mas também aos médicos quando a paciente chega com alguma queixa  que se enquadra aos sintomas da endometriose. E foi justamente isso que aconteceu com a mineira Elvira Lombardi, de 38 anos. Com duas irmãs já diagnosticadas, inclusive, sua gêmea, Elvira foi em busca de respostas para suas dores no período menstrual. E bingo: também é portadora da doença. Após os insucessos das cirurgias de suas irmãs, de tanto pesquisar ela encontrou um médico humano e extremamente competente em Belo Horizonte. Após nove anos se sentindo curada, eis que surgem novos focos em locais diferentes dos retirados anteriormente. Pois é, já  falamos em alguns textos no blog (tanto do doutor David Redwine quanto do doutor Alysson Zanatta) que quanto mais velha a mulher operar mais há chance de cura, pois os focos podem se desenvolver lentamente até a terceira década de vida da mulher. Mas isso não é regra gente. Eu mesma fiz minha segunda e última videolaparoscopia aos 32 anos e estou sem nada (sintomas e focos) desde então (leia meu textos dos meus cinco anos sem dores e sem focos). A história da Elvira mostra como a doença pode atingir muitas mulheres numa mesma família. Sei que muitas mulheres parentes de portadoras e potenciais endomulheres ainda relutam em aceitar que também pode ter a doença. Presenciei alguns casos bem próximo e digo: é apenas um diagnóstico, o importante é a mulher ser acompanhada por um médico que realmente entende e sabe tratar a doença. Em 35 anos tratando endomulheres no mundo todo, o doutor David Redwine teve apenas 19% de pacientes com reincidência. Ou seja,  81%  de suas pacientes ficaram curadas após a excisão. Por isso conhecimento do médico é fundamental para o sucesso do tratamento. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


“Meu nome é Elvira Lombardi, tenho 38 anos, moro em Belo Horizonte, Minas Gerais, sou casada há sete anos e venho de uma família com quatro irmãs, onde todas foram diagnosticadas com endometriose.

Desde muito nova sofria com as cólicas e com a menstruação irregular. Como as dores eram muito intensas, precisei por várias vezes tomar Buscopan intravenoso. Com o passar do tempo, praticamente nenhuma medicação fazia mais efeito. Eram dias terríveis que me privavam de qualquer atividade. Quando percebia que mais um mês havia se passado e novamente a tão temida semana estava de volta, a tensão e a expectativa só faziam com que as dores fossem cada vez mais intensas.

Foi então, que minha irmã gêmea, numa viagem, teve uma hemorragia muito forte e ao voltarmos, procurou um médico que a diagnosticou com endometriose, uma palavra que até então não conhecíamos. Ela foi a primeira a realizar e videolaparoscopia numa clínica aqui em Belo Horizonte. Logo depois, outra irmã, com os mesmos sintomas de dor também foi diagnosticada com endometriose. No caso dela, mais grave, foi necessário retirar parte do intestino e uma trompa. Lembro-me que depois ela ainda fez tratamento com hormônios por um período, mas pouco depois, os sintomas tornaram a voltar e, mais uma vez, ela teve que recorrer à cirurgia. Minha irmã mais velha também começou a apresentar sintomas e passou por duas cirurgias com médicos diferentes. 

Quando achávamos que tudo estava resolvido, mais uma vez a endometriose voltou e foi preciso uma terceira cirurgia. Como não estávamos muito certas do médico que atendeu as outras irmãs, passamos a pesquisar mais sobre a doença e foi quando encontramos o doutor Jorge Safe, que realizou a cirurgia de minha irmã mais velha, e neste exato momento tivemos a certeza que havíamos encontrado nosso médico de confiança! Nunca havíamos encontrado médico com tanto carinho e atenção conosco. Foi nesta cirurgia que acabamos conhecendo seu filho, o doutor Gustavo Safe, que também participou e deu continuidade ao tratamento dela.

Na minha primeira consulta com o doutor Gustavo Safe, veio à resposta do porquê de tantas dores... mais uma vez a tal da endometriose! Em 2005, aos 26 anos, realizei minha primeira cirurgia. Além da retirada dos focos no septo vaginal, foi retirado também o apêndice, pois estava no início de uma inflamação. Apesar de tudo, sempre estava muito confiante por ser atendida com tanto carinho e dedicação não só pelo doutor Gustavo como por toda sua brilhante equipe. Logo após a cirurgia, entrei em menopausa induzida e posteriormente comecei a usar contraceptivos de uso contínuo por uns seis anos. 

Quando me casei, em 2010, decidi parar de tomar o anticoncepcional e tentar então engravidar. Passei três anos na esperança de me tornar mãe, mas nem tudo pode ser tão programado... Quando percebi que as coisas não estavam correndo conforme o esperado, decidi pedir ajuda ao doutor Gustavo. Inicialmente fizemos um acompanhamento de ovulação, pois meu ciclo ainda era irregular. Procurei uma clínica na minha cidade natal, Belo Horizonte, para então fazer uma FIV, mas embora o doutor Gustavo tivesse me acompanhado, não tive empatia pelo médico. Mais tarde, durante uma consulta, o doutor Gustavo me disse que estava com parceria com uma clínica e sugeriu que eu os procurasse. 

Foi então que conheci o doutor Francisco, outro grande presente que Deus nos deu. De cara, nossa sintonia e satisfação foram enormes e, com ela, a certeza de que estaríamos em boas mãos novamente. Em 2014 demos início ao tratamento. Apesar de tentar me preparar ao máximo, já sabia o que teria que enfrentar, pois minha irmã também já havia passado por isso por duas vezes. Certamente a parte mais complicada foram as injeções aplicadas por mim mesma por mais de um mês. Nossa primeira FIV foi no fim de 2015, e exatamente no último dia do ano tivemos a confirmação que não havíamos conseguido realizar nosso sonho. Apesar da data tão marcante, colocamos isso como um bom motivo para iniciarmos nosso novo ano cheio de esperança! Após seis meses, decidimos que era hora de retomarmos o tratamento. 

Em setembro implantamos nossos últimos embriões que havíamos congelado. Mais uma vez o resultado deu negativo. A tristeza me consumiu por um breve período, pois sabia que precisava reagir. Foi então que me apeguei ao meu trabalho, que há um bom tempo estava sendo colocado de lado. Me dediquei ao máximo como nunca havia feito. O resultado foi incrível!!! Fiz um blog e comecei a escrever sobre o que eu produzia minhas ideias e inspirações.

No início de 2016 levei um susto ao descobrir que a insistente da endometriose estava de volta com força total. Depois de longos nove anos relativamente curada eis que ressurge esse pesadelo em minha vida. Desta vez tive que retirar focos no intestino e na bexiga. Vim pra casa com sonda urinária e a recuperação foi bem lenta. Mais uma vez me peguei pensando o quanto somos responsáveis por nós mesmos. Decidi não culpar Deus e ninguém mais por nada do que havia me ocorrido. Comecei a me cuidar e olhar com muito carinho os sinais que meu corpo me dava. Com isso descobri que a nossa felicidade somos nós mesmos que buscamos. Percebi que um filho não pode nunca ser condição de felicidade para alguém. 

Hoje sou feliz por mim mesma, pelo meu trabalho, meu marido, minha família... busco a alegria e a realização nas coisas simples da vida que antes passavam despercebidas por mim. Aproveito cada minuto que posso ao lado da minha sobrinha, do meu afilhado e dos filhos de amigos que sempre estão conosco. Hoje não pretendo fazer mais nenhum tipo de tratamento, se tiver que ser mãe, serei! Beijo com carinhoso, Elvira.

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